Vivendo simplesmente


Inconsciente
Vivo fora de tudo que chamam de realidade.
Existe uma distância enorme entre o que se vê
e aquilo que pulsa dentro de mim.

Caminho entre sombras,
tentando entender se o que sou é real
ou apenas mais uma falha
nesse sistema que todos aprendemos a seguir.

Louca?
Talvez.
Ou talvez eu só tenha percebido cedo demais
que muitas coisas não fazem sentido.

Minha mente não é lugar seguro.

É um labirinto cheio de portas que não se abrem,
espelhos quebrados que refletem pedaços de mim
que eu nunca pedi pra carregar.

Às vezes penso que deveria me encaixar,
fingir que sou como o resto do mundo,
fingir que isso aqui não me rasga,
não me corrói,
não me sufoca.
Mas não.

Sigo sendo essa presença que não se encaixa,
essa ausência em meio a tanta gente,
esse erro que respira
enquanto tudo parece se desfazer.

Olho no espelho e só vejo rachaduras.
Não sobrou espaço pra beleza,
pra perfeição,
pra esperança.
Só restou aquilo que tentaram apagar.
Só restou aquilo que eu me recusei a abandonar.

E eu…
não sou mais o que esperam.
Não sou molde.
Não sou estrutura.
Não sou o que imaginavam que eu seria.
Sou ausência.
Sou silêncio.
Sou ferida aberta.
Respiro.

Porque respirar é tudo que me resta.
Porque mesmo no breu,
eu ainda existo.
E resisto.

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